CONVERSÃO DE CRIANÇAS AO JUDAÍSMO:
UM GUIA PARA OS PAIS
Os pais podem pensar em converter seus bebês
ou filhos pequenos ao judaísmo por uma variedade de razões,
entre as quais: (1) Alguns casais são inter-religiosos
e o cônjuge não-judeu pode não desejar se
tornar judeu, mas ambos os pais concordam que criar os filhos
sob a religião judaica será a melhor escolha;
(2) talvez o cônjuge não-judeu de um casamento
inter-religioso decida se converter ao judaísmo (ou ambos
os cônjuges não-judeus decidem se converter), mas
seus filhos nasceram antes da conversão; (3) talvez um
casal judeu decida adotar uma criança não-judia.
Em todos esses casos, a conversão ao judaísmo
pode ser vista como uma opção desejável
para bebês e menores de idade. Conforme a lei judaica,
considera-se criança menor de idade uma menina menor
de 12 anos ou um menino menor de 13 anos de idade.
No caso de um casamento inter-religioso (entre um judeu e um
não-judeu), o(a) filho(a) de uma mulher judia e seu marido
não-judeu é universalmente aceito(a) como judeu(judia),
e nesse caso a conversão da criança é desnecessária.
Uma situação mais difícil e delicada ocorre
quando a criança é nascida de um pai judeu e de
uma mãe não-judia. Os movimentos ortodoxo e conservador
não reconhecem essa criança como legalmente judia;
nesse caso, os pais ortodoxos ou conservadores precisam fazer
a conversão legal dessa criança ao judaísmo.
O movimento reformista aceita o princípio da patrilinearidade,
segundo o qual o(a) filho(a) de um pai judeu e de uma mãe
não-judia é presumidamente judeu desde que a criança
tenha sido criada exclusivamente no judaísmo, se identifique
e se conduza publicamente como um judeu — atendidos esses requisitos,
a criança é considerada legalmente judia para
os reformistas. Porém, alguns desses pais reformistas
podem voluntariamente querer ter seus filhos convertidos ao
judaísmo por várias razões, entre elas
uma maior aceitação da condição
judaica desta criança pela comunidade judaica não-reformista.
No caso de adoção de uma criança não-judia,
conforme todos os movimentos (ortodoxo, conservador e reformista)
os pais judeus devem convertê-la para que ela seja considerada
judia. A adoção por si só ou a criação
dos filhos como judeus não faz deles pessoas judias.
A conversão de um bebê ou de uma criança
tem respaldo legal na Lei Judaica. De acordo com o Talmud (Ketubot
11a) é permitido a uma Corte Religiosa (o Bet Din) converter
uma criança não-judia. A fundamentação
judaica legal é que ser judeu é considerado como
um privilégio (Shulchan Aruch, Yoreh Deah, 268:7). Assim,
um menor pode ser convertido mesmo que ainda não esteja
maduro o suficiente para compreender o ato, porque tornar o
menor um judeu é fazer um favor a essa criança.
A Lei judaica também autoriza que os indivíduos
que foram convertidos quando crianças renunciem à
conversão quando atingirem a maioridade. Após
os 12 anos para as meninas e os 13 anos para os meninos, aqueles
que foram convertidos quando crianças podem legalmente
rejeitar a conversão e voltar à sua religião
de nascimento ou optar por aquela que quiserem seguir. Se aceitarem
o judaísmo ou não se pronunciarem a respeito,
serão considerados judeus.
Rabinos ortodoxos, por exemplo, em geral não
aceitam conversões feitas por rabinos não-ortodoxos.
Rabinos conservadores, em geral, aceitam tanto as conversões
ortodoxas quanto as reformistas, desde que as últimas
satisfaçam as exigências legais do movimento conservador
(que serão discutidos a seguir). Rabinos reformistas,
em geral, reconhecem conversões feitas por rabinos ortodoxos
e conservadores. Por causa dessa confusa situação,
os pais devem discutir a sua opção com o seu rabino.
De acordo com as práticas ortodoxas e conservadoras,
a conversão de uma menina requer apenas a tevilá
(a imersão em um banho ritual chamado micvá).
Um menino também precisa ser submerso na micvá,
mas antes da imersão deverá ter sido circuncidado,
ou seja, submeter-se ao brit milá (cerimônia legal
de circuncisão feita por um mohêl, pessoa especializada
nessa função). Se possível, isso deve ser
feito no 8° dia após o nascimento do menino. Se a
circuncisão já foi feita, deve-se retirar uma
gota de sangue do pênis do menino em uma cerimônia
chamada hatafát dam brit. A criança então
recebe um nome em hebraico (alguns preferem esperar dar o nome
hebraico somente após a tevilá). Geralmente há
uma espera de pelo menos duas semanas entre a circuncisão
e o banho de imersão.
Um Bet Din (Corte Religiosa), geralmente composto por três
rabinos, é convocado para a imersão. Os pais podem
entrar ma micvá com a criança. Se a criança
já é grande o suficiente, ela própria recita
as orações necessárias; caso contrário
um rabino recita as orações pela criança.
Depois que a cerimônia de tevilá está completa
e o nome hebraico já foi escolhido, a criança
finalmente é declarada judia pelo Bet Din.
Os requisitos para a conversão de crianças pelo
movimento reformista variam. Alguns rabinos simplesmente fazem
uma cerimônia para a escolha do nome em hebraico, enquanto
outros incluem alguns ou todos os requerimentos exigidos pelos
rabinos ortodoxos ou conservadores.
Para uma explicação mais detalhada de todas essas
cerimônias é fundamental que se consulte um rabino.
A conversão de crianças é, obviamente,
um momento de alegria para os pais, mas também um momento
de felicidade para toda a comunidade judaica. Novas crianças
acrescentam vidas preciosas para a comunidade e trazem consigo
as maiores esperanças de continuidade do Povo Judeu no
futuro.
Créditos:
Texto adaptado do site em inglês www.convert.org
com a permissão de Barbara Shair
Tradução: Adriana Lacerda
Edição: Uri Lam
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