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COMO ORGANIZAR UM KERUV, UM COMITÊ DE APROXIMAÇÃO

 

Uma contribuição significativa que as sinagogas podem fazer para atrair, instruir e acolher convertidos ao judaísmo é ter um keruv, ou um comitê de aproximação. Keruv é uma palavra hebraica que significa “aproximação” ou “ingresso”. O keruv procura fazer com que pessoas ingressem no judaísmo sem modificar os padrões judaicos. A palavra keruv está sendo usada aqui em vez da palavra “aproximação” porque esta última pode ser interpretada como algo que modifique o judaísmo para se atrair não-judeus, enquanto keruv significa claramente que o judaísmo permanece o mesmo enquanto acolhe aqueles que desejam juntar-se a ele. Obviamente, cada comitê pode escolher o nome que acredita melhor servir aos seus propósitos. Para o objetivo específico deste material, os termos keruv e “aproximação”.


O Keruv (ou “aproximação”) não é voltado unicamente para o(a) parceiro(a) não-judeu(judia) de um casamento misto (ou inter-religioso), mas também para outros, como aqueles que já se converteram, e para todos aqueles com um interesse espiritual no judaísmo. Curiosamente, muitos nascidos judeus se beneficiam enormemente do keruv porque, na medida em que acolhem não-judeus, aprendem mais sobre o seu próprio judaísmo.


Um comitê de keruv em uma sinagoga pode ter vários propósitos:

(1) Ser um grupo de apoio aos convertidos;

(2) ajudar a integrar recém-convertidos na sua sinagoga;

(3) servir como fonte de informação sobre conversão ao judaísmo para aquele(a) da sua sinagoga que é a parte não-judia de um casamento misto;

(4) desenvolver programas educacionais sobre judaísmo e conversão para a sua sinagoga em particular e para a comunidade judaica em geral. Há, naturalmente, muitas outras finalidades possíveis.

Um comitê de keruv precisa de alguém para iniciá-lo: pode ser um rabino, um diretor ou conselheiro da sinagoga ou um membro associado da mesma. Essa pessoa precisa se encontrar com o rabino e outras pessoas interessadas. Obviamente, o suporte do rabino é fundamental.


Se você deseja organizar um comitê de keruv, fale com todos os líderes da sua sinagoga para obter idéias e aprovação. Para isso pergunte a várias pessoas sobre quem estaria interessado em um comitê com este objetivo. Use a propaganda boca-a-boca para encontrar cinco ou seis pessoas. Telefone para essas pessoas e pergunte-lhes se estariam interessados em comparecer a um encontro com o rabino e outras pessoas interessadas.


O primeiro encontro é muito importante, vital mesmo para determinar os propósitos específicos e a estrutura do grupo. Claro que um grupo pode ter vários propósitos inter-relacionados. É útil que se tenha ou um líder ou uma liderança rotativa no grupo. É também importante se determinar a elegibilidade para ser membro do grupo. Por exemplo, vocês podem vir a decidir que o grupo será aberto a convertidos, seus cônjuges, judeus de nascimento interessados nos assuntos que o grupo irá tratar, e até quem sabe alguém de fora da sinagoga que gostaria de aprender sobre conversão e discutir sobre o assunto. (Obviamente, esta é uma estratégia para, em última instância, se atrair novos membros para a sua sinagoga).


Um comitê de keruv pode se encarregar de uma série de projetos, dependendo dos interesses e objetivos do grupo. Muitas atividades podem ser gratuitas ou de baixo custo. Isto é, o keruv não deve requerer dinheiro que já vem sendo utilizado por outros programas vitais dentro da sua sinagoga. Uma boa idéia é também começar somente com um projeto: aperfeiçoá-lo, avaliá-lo, e aprender com ele.


Também é fundamental que os membros do comitê de keruv estejam convictos e esclarecidos sobre a importância da conversão e expressem essa visão publicamente quando discutirem o keruv. Há muitas atividades possíveis para um grupo de keruv. Eis algumas delas:

(1) Simplesmente reunir-se e compartilhar as experiências, alegrias e dificuldades da conversão, como relações com os pais, filhos, e com a comunidade de nascidos judeus. Contar e ouvir histórias é sempre algo auxiliador e fascinante.

(2) Discutir essas experiências em um fórum público. Vocês podem enviar pequenos comunicados para jornais, revistas e programas de TV da comunidade judaica local, que poderão vir a divulgá-los gratuitamente. Vocês também podem decidir publicar anúncios pagos em jornais comunitários ou locais.

(3) Organize palestras a serem proferidas por um membro do grupo com uma história especial, ou traga uma pessoa de fora para falar sobre o assunto.

(4) Estabeleça um centro de keruv na biblioteca da sua sinagoga, com livros e artigos sobre o assunto. Se a sua sinagoga vende livros, certifique-se de que alguns títulos sobre conversão estejam disponíveis.

(5) Encontre-se com os membros da sinagoga para responder a questões sobre conversão.

(6) Escreva artigos sobre o grupo para o boletim da sua sinagoga.

(7) Apóie ou estabeleça um programa de Introdução ao Judaísmo direcionado a não-judeus que desejam aprender sobre judaísmo e explorar a possibilidade de conversão.

(8) Estabeleça um programa de “família-anfitriã” para recém-convertidos ao judaísmo. Nesse programa, os membros da sinagoga mostram aos novos judeus como viver de maneira judaica. Algumas áreas de ajuda podem ser durante os serviços religiosos, como manter um lar casher, como cumprir o Shabat, culinária típica, preparação do sêder de Pêssach, e assim por diante.

(9) Trabalhe dentro da sua sinagoga para proporcionar a seus membros informação confiável sobre conversões. Peça ao rabino para que inclua a discussão sobre conversões em um dos seus comentários ou prédicas no Shabat. Planeje e proporcione cerimônias públicas de conversão para aqueles que assim o desejarem. Encontre-se com estudantes de escolas judaicas para discutir o tema da conversão e responder perguntas a respeito do assunto.

(10) Desenvolva um pacote de materiais para não-judeus que perguntarem sobre conversão ao judaísmo.
Ao contrário do que muitos possam imaginar, um comitê de keruv em cada sinagoga pode ter a capacidade de enriquecer e fortalecer espiritualmente a vida judaica.

 

 

Créditos:

Texto adaptado do site em inglês www.convert.org com a permissão de Barbara Shair
Tradução: Adriana Lacerda
Edição: Uri Lam
Adaptação para o judaísmo brasileiro: Uri Lam