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1. PONDERAR SOBRE O JUDAÍSMO
O primeiro passo para um processo de conversão é
quando a pessoa realmente considera a possibilidade de tornar-se
judia. As razões pelas quais as pessoas chegam a essa
idéia são diversas. Alguns estão em uma
busca espiritual e conhecem o judaísmo por diversas fontes
tais como leituras, palestras e cerimônias religiosas
judaicas. Outros estão envolvidos em um relacionamento
afetivo com um judeu (judia) e desejam manter a família
unida sob a mesma religião. Qualquer que seja a motivação,
a primeira coisa a fazer é conhecer o judaísmo
mais de perto. Essa fase inicial pode incluir conversas sobre
o tema com os amigos e a família, a aquisição
de livros e vídeos sobre judaísmo, e a partir
daí refletir cuidadosamente se a conversão é
a escolha certa.
2. ENCONTRAR UM RABINO
Se a pessoa realmente deseja prosseguir nessa direção,
o próximo passo é encontrar um rabino. Esta parte
do processo pode ser difícil por inúmeras razões.
Os rabinos, como quaisquer outros indivíduos, são
diferentes entre si. Alguns dedicam mais tempo do que outros
aos candidatos à conversão. Outros seguem a tradição
de recusar o candidato por três vezes a fim de testar
a sua sinceridade e determinação. Contudo, geralmente
os rabinos são extremamente dedicados, inteligentes e
com uma profunda sensibilidade religiosa e espiritual. Eles
são os guias espirituais de suas comunidades e decidem,
em última instância, quem está apto a integrar
o Povo Judeu. Dada a importância central do rabino para
um candidato potencial à conversão, o mais sensato
é fazer contato com diversos rabinos e sinagogas em busca
da combinação ideal.
Se você estiver procurando por um rabino, procure antes
aconselhar-se com seus amigos, com seu (sua) parceiro(a) e com
a família dele(a). Nos EUA você pode contatar uma
central local de rabinos ou alguma outra entidade judaica. No
Brasil o contato pode ser feito com a Federação
Israelita do seu Estado para saber se há sinagogas ou
comunidades judaicas na sua cidade; outra possibilidade é
entrar em contato direto com as sinagogas ou com associações,
congregações e comunidades judaicas. Por precaução,
confira com a Federação Israelita do seu Estado
se os rabinos e instituições contatados são
conhecidos (e reconhecidos) pela comunidade judaica, para evitar
orientação inadequada e dissabores no futuro.
Para mais informações veja a seção
"Mais Informações Sobre Conversão
ao Judaísmo."
Deve-se levar também em conta que há rabinos pertencentes
a diferentes movimentos. Os três principais movimentos
judaicos no Brasil são o Conservador, o Ortodoxo e o
Reformista. É importante compreender as diferenças
existentes entre eles para escolher com consciência com
qual você mais se identifica. Não há um
que seja melhor ou pior do que o outro: são formas diferentes
dos judeus vivenciarem o judaísmo.
O rabino tem formação e autoridade para responder
a todos os seus questionamentos a respeito da conversão.
Por sua vez, ele também lhe fará uma série
de perguntas. Abaixo citamos algumas perguntas que provavelmente
serão feitas:
Por que você quer se converter?
Qual é a sua formação religiosa?
O que você sabe sobre judaísmo?
Você conhece as diferenças entre o judaísmo
e sua religião original?
Você está sendo pressionado(a) a se converter?
Você deseja e se compromete a dedicar o tempo que for
necessário para estudar e tornar-se judeu (judia)?
Você deseja e se compromete a criar seus filhos como judeus?
Você já discutiu essa decisão com a sua
família?
Você tem outras dúvidas sobre judaísmo ou
conversão?
3. ESTUDAR JUDAÍSMO
Suponhamos que você decidiu iniciar o seu processo de
conversão ao judaísmo e um rabino concordou em
supervisionar os seus estudos. Ainda que você não
esteja completamente seguro(a) se irá se converter ou
não, as etapas iniciais de aprendizagem irão acontecer.
Mesmo aqueles que, em algum momento, optam por não se
converter, descobrem que aprender mais sobre judaísmo
é ao mesmo tempo interessante e útil para compreender
melhor os judeus e contribuir para a diminuição
do anti-semitismo (ódio aos judeus).
Os candidatos à conversão estudam judaísmo
de diversas maneiras. Alguns o fazem individualmente com um
rabino ou com um professor supervisionado por um rabino através
de encontros regulares (a freqüência varia, dependendo
da orientação do rabino). Outros freqüentam
classes formais de conversão ou de Introdução
ao Judaísmo, muitas vezes acompanhados do seu parceiro
judeu.
Um curso típico inclui: crenças e práticas
religiosas básicas, tais como as orações
proferidas nos serviços religiosos e as orações
individuais; cashrut (as leis alimentares judaicas); a história
do Povo Judeu e de Israel; o lar judaico; os feriados judaicos;
os marcos judaicos durante a vida (nascimento, bar/bat mitzvá,
casamento, morte e luto); o Holocausto (Shoá),
entre outros. O estudo do hebraico também está
incluído.
O período de estudo varia bastante: pode durar seis meses,
um ano, dois anos, e até mais, dependendo de diversas
condições, como a regras da congregação
à qual pertence o rabino, a linha de estudos, a determinação
pessoal do candidato, o programa de estudos a ser cumprido,
etc.
Um casamento entre uma pessoa nascida judia e outra que se converte
ao judaísmo é um casamento judaico, não
um casamento inter-religioso ou misto. No caso de se planejar
um casamento, é fundamental que o candidato comece a
estudar bem antes, pois só após se converter é
que a união poderá ser realizada conforme o ritual
judaico. Não se deve condicionar o tempo do processo
de conversão a uma data já predeterminada para
o casamento.
O período de estudos deve ser acompanhado pela prática,
como criar uma atmosfera judaica no lar, aplicar as leis de
cashrut e participar dos serviços religiosos da sua comunidade.
A vivência judaica deverá ser estimulada e acompanhada
de perto pelo rabino, conforme o entendimento do seu movimento.
O estudo aliado à prática é de grande valia
para que o candidato possa avaliar melhor se é isso mesmo
o que ele quer para a sua vida.
4. O BET DIN (A CORTE RELIGIOSA)
O Bet Din em geral constitui-se de três pessoas
(na ortodoxia, três homens), entre elas pelo menos um
rabino (é comum constituir-se de três rabinos).
Após todo o período de estudos, o Bet Din
avalia formalmente a conversão formal. Antes do candidato
se submeter a essa avaliação, o seu rabino deve
informá-lo a respeito de como o Bet Din procede.
Uma parte da avaliação será voltada a determinar
o grau de conhecimento do candidato a respeito do judaísmo.
Pode-se, por exemplo, perguntar sobre o significado do Shabat
ou da crença judaica em um D’us Único. Estas questões
não visam “derrubar” os candidatos. Obviamente, estes
podem ficar tensos durante essa avaliação, mas
em quase todos os casos a intenção é verificar
a sinceridade do candidato e certificar-se de que uma decisão
assim tão importante foi tomada por livre iniciativa.
No caso de uma avaliação positiva, ao final o
candidato deve assumir publicamente, perante o Bet Din,
o seu compromisso em fazer parte do Povo Judeu.
5. BRIT MILÁ (Circuncisão
ritual)
As exigências específicas para a conversão
e a ordem em que devem ser cumpridas devem ser discutidas com
o seu rabino. Uma das exigências para os homens é
o brit milá, o milenar ritual de circuncisão
que marca a entrada no Pacto entre D’us e o Povo Judeu. Se o
candidato já é circuncidado, realiza-se uma cerimônia
de hatafát dam brit: retira-se uma gota de sangue
do pênis e “completa-se”, por assim dizer, o brit
milá. No Brasil todos os movimentos judaicos consideram
o brit milá obrigatório. Nos EUA, embora a orientação
do movimento reformista seja realizá-lo e a maioria dos
rabinos exija isso, alguns poucos deixam esta obrigação
de lado. Entre ortodoxos e conservadores o brit milá
é absolutamente obrigatório.
6. TEVILÁ (Banho ritual)
Todos os convertidos (homens e mulheres) devem obrigatoriamente
realizar a tevilá, um banho ritual pela imersão
em uma micvá (veja abaixo). No Brasil a tevilá
é considerada obrigatória por todos os movimentos
religiosos. Nos EUA os ortodoxos e conservadores a consideram
obrigatória; o mesmo vale para a maioria dos rabinos
reformistas, com algumas exceções. A micvá
pode ser qualquer fonte de águas naturais correntes,
mas o termo em geral se aplica a uma espécie de piscina
com um sistema próprio para acumular água das
chuvas, com finalidade de purificação ritual.
Antes da imersão o candidato deve se lavar minunciosamente
em um banho de chuveiro. Em seguida deve se despir completamente
para entrar na micvá (isto inclui a remoção
de brincos, pulseiras, anéis, maquiagem, esmalte das
unhas, etc.). Quando a cerimônia é realizada em
local público (um lago, praia ou nascente de rio) alguns
rabinos costumam permitir que se use uma vestimenta folgada.
Bênçãos são recitadas e a pessoa
submerge na água de forma a cobrir todo o corpo, a cabeça
e com os olhos abertos. Costuma-se repetir o procedimento por
três vezes para assegurar que todas as partes do corpo
foram tocadas pelas águas. De acordo com a lei judaica
tradicional, a imersão deve ser testemunhada por três
homens. No caso de uma mulher realizar a imersão, os
homens se retiram do recinto e são informados por uma
auxiliar mulher que a imersão foi completa e as bênçãos
foram recitadas. Nos movimentos conservador e reformista a imersão
pode ser testemunhada por uma rabina e outras duas mulheres,
ou por três mulheres já que não há
rabinas ortodoxas.
7. TSEDACÁ
Antigamente os convertidos em Israel levavam sacrifícios
ou oferendas ao Bet Hamicdásh, o Templo Sagrado
em Jerusalém. Depois que o Templo foi destruído
isto deixou de ser feito. Desde então a Lei Judaica não
exige mais sacrifícios de animais ou oferendas. Contudo,
alguns rabinos mencionam este momento como uma oportunidade
para se fazer tsedacá, literalmente “justiça
social”. Pode ser uma doação em dinheiro ou alguma
outra ação de caridade para os mais necessitados.
Esse ato deve ser voluntário.
8. UM NOME EM HEBRAICO
Também neste caso há diversos procedimentos diferentes,
dependendo do movimento, da congregação e do rabino.
Em geral, após a avaliação pelo Bet
Din, o brit milá (no caso dos homens) e
a tevilá na micvá, o candidato
à conversão assina um documento que formaliza
o seu ingresso no Povo Judeu (em algumas comunidades a tevilá
é feita após a assinatura deste documento). Esse
documento também é assinado pelo rabino e pelas
testemunhas. Nesse momento a pessoa convertida escolhe para
si um nome em hebraico. As opções mais comuns
costumam ser os nomes dos Patriarcas ou Matriarcas do Povo Judeu;
a adoção do nome “Ruth”, que aceitou a fé
judaica e é a bisavó do Rei David também
é muito comum, mas pode-se escolher qualquer nome em
hebraico. Cabe ressaltar que o nome civil é preservado.
Tradicionalmente o nome hebraico de um indivíduo é
acompanhado do nome hebraico de seu pai. Uma vez que o convertido
não tem pais judeus (ou sua mãe não é
judia), adiciona-se “ben/bat Avraham Avinu” que significa “filho/filha
do nosso Patriarca Abrahão”. Por exemplo, se um homem
escolhe se chamar Yaacov, seu nome em hebraico será Yaakov
ben Avraham Avinu. Em algumas comunidades as mulheres adicionam
“bat Sara Imenu”, que significa “filha da nossa Matriarca Sara”.
Há comunidades ainda em que se adicionam os nomes de
Avraham e Sara. Por exemplo, se uma mulher escolhe se chamar
“Ruth”, seu nome em hebraico será Ruth bat Avraham veSara
Horênu, que significa “filha dos nossos Pais Abrahão
e Sara”. A cerimônia de nomeação inclui
a recitação de uma benção.
9. A CERIMÔNIA PÚBLICA
Uma cerimônia pública anunciando a conversão,
embora não obrigatória, vem se tornando cada vez
mais popular, especialmente entre os judeus reformistas. Nesta
cerimônia o convertido é chamado perante a comunidade
e faz um pequeno discurso, em geral sobre as razões da
sua conversão ou sobre o que aprendeu com a sua experiência.
É comum também o rabino falar algumas palavras
e desejar ao convertido uma vida judaica plena de estudo da
Torá, cumprimento de mitsvot (preceitos judaicos)
e de tsedacá. É mais uma maneira da comunidade
conhecer seu novo membro, dar-lhe as boas-vindas e integrá-lo.
10. UM CASO ESPECIAL: A CONVERSÃO
DE MENORES DE IDADE
Nas famílias cujo pai é judeu e a mãe é
não-judia, os ortodoxos e conservadores não consideram
o filho como judeu. Já os reformistas entendem que no
caso desse filho ser criado dentro do judaísmo e participar
em cerimônias públicas e formais de identificação
com o Povo Judeu, será considerado judeu.
Muitos rabinos ortodoxos se recusam a converter um menor de
idade; outros rabinos, em geral conservadores ou reformistas,
aconselham que o(a) jovem seja criado dentro do judaísmo
e aguarde a época do seu bar/bat mitsvá para realizar
a conversão, quando se imagina que já estará
mais consciente desta decisão. Outros ainda entendem
que se for da vontade dos pais, a conversão poderá
ser feita ainda antes disso, partindo do princípio de
que esta é uma forma de obter o reconhecimento da identidade
judaica da criança e evitar possíveis constrangimentos
no futuro. Nesses casos todos os movimentos exigem a circuncisão
para os meninos que pode ser feita como manda a tradição,
aos 8 dias de vida, seguida da Hatafát Dam Brit
à época da conversão. Para alguns rabinos
reformistas, basta uma cerimônia para se dar um nome hebraico
na oportunidade da conversão. Rabinos ortodoxos e conservadores
também exigem a imersão na micvá.
Créditos:
Texto adaptado do site em inglês www.convert.org
com a permissão de Barbara Shair
Tradução: Mariane Dinis
Edição: Adriana Lacerda e Uri
Lam
Adaptação para o judaísmo brasileiro:
Uri Lam
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